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DORNELAS
A
Igreja
Matriz,
principal objecto do meu estudo, foi descrita por António
Nogueira Gonçalves como um edifício modesto, de reforma do século XVIII
().
Conta com mais de três séculos e resulta da remodelação de outra muito
anterior j á
mencionada no “Catálogo de todas a igrejas, comendas e mosteiros que
havia nos Reinos de Portugal e dos Algarves pelos anos de 1320-1321, com a
dotação de cada uma delas”, também conhecido por “Taxação das
Igrejas” (),
na íntegra. Sob o título de “Egrejas da Covilhã” — portanto
integrada no Arciprestado da Covilhã — vem a igreja de Santa Maria de
Dornellas com tributação de 30 libras de conta, para a guerra contra os
sarracenos ou mouros. Tão elevada quantia atesta a importância e
possibilidades económicas da paróquia, quase em igualdade com o Paul e
Souto da Casa (com 40 libras cada), o Fundão (com 50) e acima de Valverde
(apenas com 20 libras).

No
ano de 1646, tal como consta do Livro dos Assentos dos
Baptizados, a Igreja era designada por Nossa Sr.a da
Conceição. Corria o ano de 1672 e no dia 27 de Julho o nome mudava
para Igreja de Nossa Sr.ª das Neves não voltando a ser
alterado até aos dias de hoje ().
Em 1758, na resposta do pároco ()
daquela freguesia ao inquérito organizado naquele tempo e enviada
pelo Encomendado José Manuel, a 21-4-1758, por impossibilidade do
primeiro, o parágrafo que respeitava ao templo era o seguinte ():
“ O orago da Igreja he Nossa Senhora das Neves, tem cinco
altares, que vem a ser o da Capella Mor, o do Divino Espírito Santo, o de
Nossa Senhora do Rosário, o de Nosso Senhor JESUS Christo, ou das Almas,
e outro de Nossa Senhora da Conceiçam: tem a Irmandade das Almas, e
Confraria do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Rozario, e do
Divino Espírito Santo. (ao lado e em nota: “A Conceiçam he de huma
casa particular”)”
Actualmente,
o templo possui cinco retábulos e várias imagens em pedra e
madeira de grande valor (algumas mais antigas que a actual igreja). Entre
os valiosos objectos de culto e alfaias, distingue-se um cálice velho de
séculos e uma custódia de prata com inscrição latina do doador, o cónego
Emanuel Alvares, datada de 1649. Em vez de torre, possui um largo campanário
em pedra de cantaria do século XVIII que está colocado à direita da
fachada, tem inscrita a data 1761 por baixo de uma pedra lavrada em forma
de concha e é composto por duas janelas de cimalha direita. Os sinos contêm
as seguintes referências: um possui o número de série 986 e a inscrição
N. Senhora de Fátima. Refundido em 1945 – Dornelas do Zêzere. Fundição
de sinos NOVA LUSITANIA H. S. JERÓNIMO. Ermesinde (havia no
exterior uma
inscrição referente ao padre Epyphanio, pároco durante a segunda metade
do século XIX, a qual desapareceu com a refundição); o outro tem
gravadas as palavras Francisco de Oliveira M. E. Neves, 1839. IHS. MARIA
EZO.”
A
Igreja Matriz de Dornelas do Zêzere sofreu
várias reformas durante a sua existência, sendo de salientar:
Sérgio
Eliseu
- Adurão
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A Capela de Adurão foi construída em 1920 e tem como
padroeira N. S. da Conceição, celebrada em 8 de Dezembro.
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Outra Santa de
grande devoção é Santa Bárbara, protectora contra os males das
trovoadas e também dos mineiros.
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Existem umas
alminhas.
- Carregal
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Carregal dedicou a sua Capela a S. Bento, celebrado no último
Domingo de Agosto.
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Trata-se de um
templo simples e de reduzidas dimensões, com muitas imagens: Stº
António, N. S. Assunção, N. S. de Fátima, N. S. das Febres, N.
S. dos Remédios e Sº Coração de Jesus.
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Existem umas
Alminhas.
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- Portas
do Souto
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A Capela de Portas do Souto tem como padroeiro S. Tiago,
que é celebrado no 1º Domingo de Agosto.
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É um templo de
construção não muito antiga.
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Tem um Cemitério.
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Virgílio Correia; A. Nogueira Gonçalves - Inventário Artístico
de Portugal, distrito de Coimbra, Academia Nacional de Belas
Artes, Lisboa, 1953, pg. 186.
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Transcrito em 1746 do Código Manuscrito n.º 179 da colecção
pombalina, pelo Eng. Manuel da Maia, publicado por José Osório
da Gama e Castro (Diocese e Distrito da Guarda, 1902, pg.
501 e segs.) e por Fortunato de Almeida (História da Igreja em
Portugal, 4º. Vol. Apêndice).
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“Há muitos anos, num dia quente de Verão, nevou em
Dornelas, o que terá iniciado o culto à Nossa Sr.ª Das Neves”
– lenda popular contada na localidade – Embora a mudança de
nome se tenha dado num dia de Verão, não creio que exista nesta
lenda popular algum fundamento, pois a lenda parece derivar de uma
má interpretação da história da Basílica de Santa Maria Maior
em Roma. Santa Maria Maior é também invocada como Nossa Senhora
das Neves, devido a uma antiga lenda segundo a qual um casal
romano, que pedia à Virgem luzes para saber como empregar a sua
fortuna, recebeu em sonhos a mensagem de que Santa Maria desejava
que lhe fosse erigido um templo precisamente num lugar do monte
Esquilino que aparecesse coberto de neve. Isto aconteceu na noite
de 4 para 5 de agosto, em pleno verão: no dia seguinte, o terreno
onde hoje se ergue a Basílica amanheceu inteiramente branco.
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Padre José Dias de Carvalho, tio do Capitão Manuel Dias de
Carvalho e do Dr. Bento Dias de Carvalho (formado em Direito Canónico
e Civil pela Universidade de Coimbra) membro de uma família
residente no Carregal, com antepassados conhecidos desde o séc.
XVI. Do sobrinho
Capitão descendem em linha recta (4º e 5º graus
respectivamente) os Drs. Eurico Dias Nogueira, arcebispo Primaz,
José Artur e Joaquim Eurico Duarte Nogueira, professores
Universitários em Lisboa, todos autores de trabalhos sobre
Dornelas citados na bibliografia.
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Ocupando a pág. 179 e seguintes do Tomo 13 — E — 1, do “Dicionário Geográfico” do padre Luís Cardoso.
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